sábado, 27 de agosto de 2011

Ser ou somente ser? Eis a questão...

           Os instintos, a vontade, o senso crítico, o poder de decisão, o gosto por isso ou aquilo, a responsabilidade. Estes são atributos que vamos adquirindo, superando, e levando, maiores ou menores a cada espaço de tempo vencido por nós, humanos. Ah, quanto ao vencimento do tempo, é essa a idéia que tenho, pois, mesmo não tendo uma previsão para deixar essa vida, a cada virada de 23h59 para 0h00 conta-se um dia a menos no tempo biológico de cada um, e outro dia a mais de completude, seja adquirindo ou se livrando dos atributos acima listados.
        A elucubração acima provavelmente é uma lógica fácil pra quem lê, visto que nunca me esforcei para ser mais do que mediano em algo. Alguns entendem por ser homem, ou melhor, ser adulto, aquele cheio de responsabilidade, seriedade e acertos. Bom, penso que haja alguma infantilidade ou bom-mocismo forçado por uma herança cultural nessa idéia, como aquela em que se espera que o filho se forme médico ou bacharel em Direito. Ou, caso eu esteja errado, minha turma de amigos está definitivamente à margem da maturidade.
          Um advogado, falando sobre coisas da Geografia, falava das rugosidades do Espaço, que são coisas do passado que fazem arranjo com cenários atuais. Exigente como era, Milton Santos não concordaria comigo se eu o dissesse que as minhas meias deixadas embaixo do sofá são rugosidades do meu comportamento, adquiridas nos meus tempos de infância, em ocasiões onde coisas mais importantes não me permitiam levantar para botar as meias e os calçados no cesto de roupas sujas e na sapateira respectivamente. Quando na minha vida eu iria priorizar o lugar das meias em detrimento à desenhos animados e programas ridiculamente infantis? Nunca! Hoje, as sessões de PS3 e os jogos de futebol, igualmente não me permitem excluir as meias do arranjo atual da sala de casa, com a diferença de não morar mais com minha querida mãe, que recolhia as meias berrando insatisfação.
          Não foi por ter apenas meias espalhadas pela casa, que só as citei, mas por que me inspirou muito quando as juntei e para atirá-las na máquina de lavar, tinha que batê-las para tirar a poeira e puxar os fios de cabelo engarranchados, numa quantidade de cabelos que me impressionou, tamanha a carequice iminente. E, nesse momento de importância infinitamente desprezível, senti uma vontade infinitamente grande de escrever sobre a vida de “Dono de Casa”, um do lar. Imediatamente me senti inserido em problemas de adulto, em coisas da vida difícil que os adultos falavam na minha infância. Depois que botei as meias e fechei a máquina, a sala já limpa. (Incrível o papel das meias: elimina a poeira de dias, e remove cabelos e plumas de qualquer ambiente) Voltei a sentar no sofá, continuei apenas querendo escrever, e por alguma graça, me tornei antipático aos “Donos de Casa”.
         De qualquer forma, tendo nascido em 1984, posso me dizer homem feito, e não tem discussão! Depois de muito tempo eu aprendi a gostar com toda minha alma da música The House of the Rising Sun, sempre ouvida na voz dos Animals, e É ISSO QUE SEPARA OS MENINOS DOS HOMENS!

Nenhum comentário:

Postar um comentário