
Lembra daquele gordinho que botava a mão entre os oponentes dizendo “Que cuspa aqui quem for o mais macho” e não conseguia tirar a mão? Pois é, eu era esse gordinho. Não que fosse provocador ou encrenqueiro, mas era minha forma de participar do convívio social escolar... Sim porque depois do quarto ano era a única forma de participar desse novo mundo. E para um moleque de 11 anos, recém gordinho, tímido pra caramba, vindo da escola do bairro para a escola pública abarcadora de todos os bairros e classes sociais, e ainda a mais cobiçada da cidade, essa ruptura é de fato dolorosa e, se é esse o termo, sequelante! Os dois únicos amigos que consegui fazer logo de imediato eram também parte dessa minoria adiposa, mas foi um convívio que me rendeu ótimas lembranças e bons frutos. A começar pelo que mais tarde se tornou líder religioso. Tínhamos um gosto em comum, o lanche da cantina de baixo. Davam quatro, cinco, seis horas, mas três e quinze não chegava nunca! O pão com salsicha seguido do pirulito de “puxa-puxa” com certeza era o melhor daquelas tardes quentes no José Alves de Assis. Já a outra amizade com o filho da minha pediatra me rendeu a descoberta do Dungeons Dragons, o gosto pelo jogo Street Fighter (ainda no Nintendo) e conseqüente preferência pelo Sagat. Entre uma aula e outra com a professora Neuraci e sua paixão latente e inesquecivelmente contagiante pela literatura e língua portuguesa, (Obrigado professora!) sempre dávamos um jeito de discutir sobre o Kaisser e o Jorviens, nossos personagens do jogo de RPG. Não mais mantivemos contato depois daquele ano, pois fui sorteado para ir para a nova escola, mas recordo com muito carinho da convivência com os dois. Embora além dessas tão gostosas e inocentes lembranças de infante, o que de fato fez toda a diferença naquele quinto ano e que realmente foi um marco em minha vida, me fazendo entrar no mundo masculino, foi o registro do primeiro dos meus três únicos embates físicos... É algo maior que a gente, está impresso no DNA do gênero, esse sentimento de poder expresso em força física, a tradução do que é ser o macho alfa! Não que isso seja algo louvável ou digno de orgulho, mas dar uma sova no cara mais medonho e intimidador do quinto ao sétimo ano de fato elevou meu ego e me fez mais popular a partir de então. Me senti naquele momento o próprio Sagat dando um “Tiger Uppercut” ao acertá-lo em cheio na mandíbula e ele “romper em plasma”. O único pesar foi ter que me acertar com a “Tia Chica”, nem o olho levemente inchado me chateou tanto quanto... Mesmo assim aquela semana de Glória como ícone da minoria gordinha, dos manés e dos jacus não teve preço.
oi vlw pela visita espero que realmente volte sempre!!! mil bjsss
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